Por que Literatura feminina?

Blog de cadernodepoesias :Caderno de poesias, Por que Literatura feminina?

Respondendo à pergunta contida no título de uma das postagens anteriores, depois de apresentarmos um pouco do que é dito por críticos e estudiosos, parece que é chegada a hora de darmos nosso parecer, ou seja, nossa opinião por que deve ser feita uma literatura feminina. Depois do que foi exposto, sobre o que é considerado literatura feminina por alguns criticos, e também as razões por que alguns apóiam e outros são contra, seremos bem claros sobre nossa posição. Realmente não acreditamos que haja como separar literatura masculina da feminina (inclusive, sobre questão de se separar em categoria, pasmem! Há gente  inclusive literatura gay, como se fosse algo diferente, se não acredita, vejam o link abaixo), e tampouco não há necessidade disso; porém, insistimos em dizer que há literatura feminina no sentido de valorizar o trabalho, de apresentar mais as mulheres. Inclusive, antes de finalizar a postagem, precisamos destacar o excelente trabalho que a professora Nelly Novaes Coelho realizou ao catalogar inúmeras escritoras brasileiras em seu Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras (livro da foto). Contendo 1.401 verbetes, ou seja 1.401 escritoras catalogadas, o livro resgata o trabalho de muitas escritoras que não tiveram seus trabalhos reconhecidos (algumas nem sequer são conhecidas do grande público), e além disso, apresentar algumas "caras-novas" que estão surgindo no momento. Recomendamos adquirir a obra que pode ser adquirida no site do Estante Virtual a um preço bem acessível.

Finalizando, por fim, fica clara a nossa mensagem: literatura feminina sim, no sentido de que o trabalho das escritoras tenha valor merecidamente reconhecido.

http://portalliteral.terra.com.br/forum/paredao/literatura-gay

http://lattes.cnpq.br/4756254735494478

http://www.estantevirtual.com.br/Nelly+Novaes+Coelho+Dicionario+Critico+de+Escritoras+Brasileiras

terça 15 dezembro 2009 00:36


Mulher na Literatura Brasileira

Vídeo interessante pois mostra a evolução de como a mulher tem sido vista pelos escritores desde o Romantismo até o Modernismo.

terça 15 dezembro 2009 00:14


Trovadorismo moderno: o uso do eu-lírico feminino na MPB


Pasmem! Há vários sambistas consagrados que escreveram alguns de seus temas sob o uso de vozes femininas, e não são poucos os que o fizeram, porém, não mostraremos muitos deles, nos detendo em apresentar alguns exemplos. Note que na maioria dos casos, o compositor compunha seu samba a fim de que alguma cantora o gravasse. Como é o caso, por exemplo, de Noel Rosa, em seu samba "O X do problema", o qual foi composto por Noel a pedido da atriz Ema D'A´vila. Eis a letra do samba:

 

Nasci no Estácio
E fui educada em roda de bamba
E fui diplomada em escola de samba
Sou independente, conforme se vê.
Nasci no Estácio,
O samba é a corda e eu sou a caçamba
E não acredito que haja muamba
Que possa fazer eu gostar de você.

Eu sou diretora da escola do Estácio
[de Sá
E felicidade maior neste mundo não há;
Já fui convidada pra ser estrela
[do nosso cinema,
Ser estrela é bem fácil:
Sair do Estácio é que é o “x”
[do problema...

Você tem vontade
Que eu abandone o Largo do Estácio
Pra ser rainha de um grande palácio
Pra dar um banquete uma vez
[por semana;

Nasci no Estácio,
Não posso mudar minha massa
[de sangue,
Você pode crer que palmeira do Mangue
Não vive na areia de Copacabana.

 

Outro exemplo de samba em que o compositor se utilize de voz feminina é o samba "Fez bobagem", composto em 1942 por Assis Valente e que fez muito sucesso com Araci de Almeida. Eis a letra do samba:

 

Meu moreno fez bobagem
Maltratou meu pobre coração
Aproveitou a minha ausência
E botou mulher sambando
[no meu barracão.
Quando penso que outra mulher
Requebrou pro meu moreno ver
Não dá jeito de sambar, dá
[vontade de chorar
E de morrer.
Deixou que ela passeasse na
[favela com meu peignoir
Minha sandália de veludo deu
[a ela pra sapatear
E eu bem longe me acabando,
Trabalhando pra viver
Por causa dele dancei rumba
[e fox-trot
Pra inglês ver.

 

Agora, eis um exemplo dum sambista cujo uso da mulher em seus poemas é tema recorrente de vários arigos - estamos falando de Chico Buarque. O cantor, compositor e também escritor, nascido no Rio de Janeiro em 1944, por vezes, utiliza-se do uso do eu-lírico feminino em suas composições. Inclusive, já postamos uma composição sua, gravada por Maria Bethânia. Em um artigo para o Jornal de Poesia, Luiza Mendes Faria comenta um motivo por que Chico "traveste-se" de mulher em suas composições. Segundo ela, o motivo é devido à sensibilidade de Chico de perceber a opressão como ela percebe; outro motivo também citado é que Chico sempre valoriza a mulher em suas composições, mesmo quando não se utiliza da voz feminina. Antes de finalizarmos, só queremos destacar que postamos a cantora Ana Martins e sua interpretação do samba Fez bobagem, cujo som vc pode ouvir clicando logo no início da postagem no local apropriado.

 

Links que serviram de fonte para a postagem:

http://www.novasaquarema.com.br/poiesis/99/era_radio.htm

http://www.revista.agulha.nom.br/lmfuria.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque

 Alguns artigos interessantes sobre o uso do eu-lírico feminino por Chico Buarque:

http://www.gel.org.br/resumos_det.php?resumo=5148

http://www.seer.ufrgs.br/index.php/NauLiteraria/article/view/5827/3431

http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/145-4.pdf


 

terça 15 dezembro 2009 00:09


Escritores travestidos: o uso da voz feminina

Não estranhe muito o título da postagem! Embora usemos o termo travestidos, não nos referimos a escritores que usem roupas de mulher; em vez disso, estamos usando o termo 'travestidos' de forma conotativa para demonstrar uma faceta que alguns homens assumem ao escrever: o uso da voz feminina por parte de escritores, ou em outros termos, homens que escrevem utlizando-se de eu-lírico feminino. Antes de prosseguirmos, precisamos definir alguns termos.

Encontramos uma definição por parte da poetisa Milene Arder. Segundo ela, o termo 'eu-lírico' deriva-se da lira, instrumento musical que os gregos passaram a utlizar a partir do século XII a.c. As canções que eram entoadas ao som do instrumento, eram chamadas de líricas. Havia, portanto, junção entre som e palavra, o que proporcionava musicalidade aos versos, porém, a partir do século XV, gradualmente foi se deixando de entoar os versos acompanhados de melodia, passando somente a lê-los ou declamá-los. Mas, mesmo que os versos não fossem mais cantados, ainda havia uma certa musicalidade, a fim de que os textos fossem lembrados. Pode-se dizer que o eu-lírico seria a voz que fala no poema e nem sempre corresponde ao autor. Atente bem para essa definição, antes de prosseguir essa leitura, justamente por que apresentaremos alguns poemas em que não há marcas que deixem claro o "sexo" do autor do texto. Mas, chegaremos a isso no momento preciso. Veja um exemplo desde já de uso de eu-lírico feminino por parte de um homem:

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer”.

(Chico Buarque de Hollanda)

Qualquer leitor desatento, lendo esse texto, diria que se trata de uma mulher escrevendo devido ao termo "refeita" (em que aparece vogal temática a, indicando palavra do gênero feminino), mas preste atenção! O autor é homem e não é uma mulher. E não se espante com o que será expresso agora, pois não é de hoje que um homem se utilize do eu-lírico feminino, na verdade desde os tempos antigos já havia casos como esses.

Para começar, retiramos dois exemplos do livro sagrado, a Bíblia .O primeiro exemplo de eu-lírico feminino encontra-se em no livro de Provérbios, capítulo 8, versículos 23-24: "Fui empossada desde tempo indefinido, desde o começo, desde tempos mais remotos do que a terra. Quando não havia águas de profundeza, fui produzida como que com dores de parto, quando não havia mananciais fortemente carregados com água". Neste excerto, escrito pelo rei Salomão, fala-se da sabedoria personificada, porém na verdade, segundo estudiosos da Bíblia, essas seriam palavras do próprio Jesus Cristo, quando da época em que ele vivia no céu, antes de descer à terra como homem. Note que, segundo essa teoria, embora as palavras fossem de Cristo, isso não o impediu de se expressar usando palavras conjugadas no feminino, uma vez que estava se expressando como sendo "a personificada sabedoria", ou sabedoria por excelência.

Um segundo exemplo da Bíblia, também foi escrito por Salomão e encontra-se no livro O Cântico de Salomão, capítulo 1, versículos 2 e 7: "Beije-me ele com os beijos de sua boca, porque as tuas expressões de afeto são melhores do que o vinho" "Conta-me, ó tu a quem a minha alma tem amado, onde pastoreias, onde fazes o rebanho deitar-se ao meio-dia. Por que é que eu devia tornar-me igual a uma mulher que se cobre de luto, entre as greis dos teus associados?". Note mais uma vez o uso do eu-lírico feminino. Salomão nos conta nesse maravilhoso livro sua própria história, quando da ocasião em que se apaixonara por uma camponesa, porém, foi preterido por ela uma vez que a moça em questão amava um pastor e, mesmo diante da côrte que o rei lhe fizera, ela se recusara e no final, permanecera ao lado do seu amor, o pastor. Não obstante, embora preterido, Salomão escreveu a história a qual foi incluída no cânone bíblico. Porém, para nós, o que importa é o uso que ele fez do eu-lírico feminino. Salomão o faz para assim dar "voz" à moça e mostrar aos leitores o que a moça sentia e pensava.

Prosseguindo alguns séculos na história do humanidade, temos as cantigas de amigo, na época do Trovadorismo. Naquela época, a mulher era reprimida pelo fato considerar a mulher inferior ao homem (havia uma forte influência da igreja que dizia ser a mulher a deflagradora do "pecado original", portanto, não seria passível de ser ouvida ou respeitada). Por essa razão, não se permitia às mulheres escreverem. As referidas cantigas de amigo, eram, por excelência, textos 'dirigidos' a um homem, e quem os escrevia uma mulher. O que foi afirmado agora é verdade? Não! Na verdade, os textos realmente eram dirigidos para um homem e quem lesse um texto dessa estirpe veria marcas do feminino, porém, mesmo na época do Trovadorismo, os leitores sabiam tratar-se de escritores que se utilizavam da voz feminina em seus textos (Voz feminina, segundo alguns críticos, é outro termo para eu-lírico feminino). Eis um exemplo de cantiga de amigo, para exemplificarmos essa presença desse tipo de eu-lírico.

 

- Ai flores, ai flores do verde pino,

se sabedes novas do meu amigo!

Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,

se sabedes novas do meu amado!

Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,

aquel que mentiu do que pôs comigo!

Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,

aquel que mentiu do que mi á jurado!

Ai Deus, e u é?

- Vós me preguntades polo vossamado,

e eu bem vos digo que é san’e vivo.

Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vossamado,

e eu bem vos digo que é viv’e sano.

Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é san’e vivo

e seera vosc’ ant’o prazo saído.

Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é viv’e sano

e seera vosc’ ant’o prazo passado.

Ai Deus, e u é?

(D. Dinis)

 

Essa cantiga de D. Dinis, também conhecida como "O Rei-Trovador" é um claro exemplo do uso da voz feminina, ou eu-lírico feminino. No poema, uma moça pergunta às flores onde está seu amado, pois não sabe onde ele está, ao que as flores lhe respondem que ele está bem e voltará logo para seus braços.

Agora, leitores, talvez outra surpresa: há hoje em dia autores que se utilizam e com certa frequencia do eu-lírico feminino, e esse é o assunto da próxima postagem.

 

Links que serviram de fonte de pesquisa para a postagem:

http://ler.literaturas.pro.br/index.jsp?conteudo=385

http://vaniadiniz.pro.br/ma_eu_lirico.htm

http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno09-29.html


segunda 14 dezembro 2009 23:19


Literatura feminina: crítica feminista (III)

Na terceira e última parte de nossas postagens a respeito de crítica feminista, analisaremos a segunda parte do artigo escrito por Níncia Teixeira. Contendo o título "Lya Luft: Caos e reconstrução", o artigo nos revela de que forma Lya Luft delineia a questão feminina, tratando-a sob o ponto de vista feminino. Sua literatura por ser extremamente intimista percorre o caminho traçado por Clarice Lispector, porém com um toque absolutamente pessoal.

Nesta parte do artigo, menciona-se como são construídas as personagens de Luft, em suma, na maior parte do tempo, ainda presas a rígidos padrões moralistas paternalistas, porém, com ímpetos de romper esse quadro. Portanto, delineia-se um conflito interno em que as personagens desejam romper com esse quadro, porém, acabam não o fazendo. Uma característica de que Luft se utliza é a descrição do mundo psíquico das mulheres, envolvendo-as nas levas apaixonadas e sem fronteiras de um ambíguo sentimento de amor e ódio, levando a mais um conflito interno.

Especialmente, em Luft, o discurso da escrita feminina é visto como consequência de um processo de conscientização da situação social da mulher. Tal discurso subverte a ordem vigente, ao questionar papéis sociais, representando a mulher dividida, numa linguagem que também subverte os padrões normais (e morais).

Teixeira finaliza o artigo comentando que "este é o discurso feminino, uma necessidade de um tempo e de um espaço especiais. Dessa forma, não há como considerá-lo algo segregado do acervo literário. Ele representa uma tendência altamente significativa do ponto de vista estético e social, pois é uma representação artística da situação da mulher feita por mulheres".

De certa forma, concordamos com a excelente apresentação que Teixeira fez sobre o que é a crítica feminina, pois colocou em voga o que sempre foi dito os valores femininos, porém, mostrando que até um certo ponto pode se mesclar tanto valores femininos quanto não-femininos, como é o caso de Lya Luft. Reiteramos que o assunto sobre crítica feminina não está de todo concluído, porém, damos um tempo por aqui pois, a partir de agora, entraremos em outro campo, talvez um tanto desconhecido por parte de alguns: o uso da voz feminina por parte de homens, mas é assunto para uma próxima postagem.

 

Link para a segunda parte do artigo de Níncia Teixeira:

http://www.klickescritores.com.br/pag_materias/materias07_part2.htm


segunda 14 dezembro 2009 11:02


|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para cadernodepoesias

Precisa estar conectado para adicionar cadernodepoesias para os seus amigos

 
Criar um blog