Literatura feminina: crítica feminista (II)

Crítica feminista: assunto esse que certamente suscita muita polêmica. Nesta postagem, veremos o problema à luz de um artigo da pesquisadora Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira, atualmente professora da Unicentro, artigo esse intitulado "A escritura feminina: Lya Luft e o sujeito no espaço literário". No artigo de Teixeira (por sua vez, calcado nos escritos de Luiza Lobo, o qual é citado ao final do artigo), é mencionado o papel que a literatura de autoria feminina deve ter para figurar no cânone, que é o de retratar assuntos habitualmente não associados à mulher. Menciona-se também a conscientização pela qual a mulher passou entre fins do século XIX e meados do século XX quanto a sua liberdade de autonomia, assim, ocorrendo a mudança de condição "feminina" para "feminista". Observe o inteligente uso dos termos: aqui, Teixeira está associando o termo "feminino" à sua significação clássica como 'algo passível de submissão", enquanto "feminista" pressupõe ação, portanto, tendo carga semântica de 'algo que é ativo'.

Prosseguindo no texto do artigo, menciona-se que, devido à entrada maciça na universidade, pelo menos, desde a década de 1950, as vozes femininas tornaram-se mais intensas, passando então as escritoras a expressar suas realidades. Outro dado apresentado é que não havia uma base teórica para a crítica feminista até recentemente. Por esse motivo, a crítica feminista era vista como sendo um ato de resistência aos cânones e julgamentos existentes.

Já que se falou de crítica feminista, será que hoje existem estudos sobre? Sim, e Teixeira menciona que há dois tipos de critica feminista: a primeira delas vista de forma ideológica, dizendo respeito à crítica feminista como leitura, oferecendo a leitura de textos que levem em consideração as imagens e estereótipos das mulheres na literatura; já a segunda propõe-se a analisar a mulher enquanto escritora e seus tópicos são em suma, voltados sobre a criatividade feminina.

Teixeira prossegue citando a opinião de Luiza Lobo: "O termo "feminino" vem sendo associado a um ponto de vista e uma temática retrógrados, o termo "feminista", de cunho político mais amplo, em geral é visto de forma reducionista, só no plano das ciências sociais. Entretanto, deveria ser aplicado a uma perspectiva de mudança no campo da literatura. A acepção de literatura "feminista" vem carregada de conotações políticas e sociológicas, sendo em geral associada à luta pelo trabalho, pelo direito de agremiação, às conquistas de uma legislação igualitária ao homem no que diz respeito a direitos, deveres, trabalho, casamento, filhos etc. (1999:4)"

No decorrer da leitura do artigo de Teixeira, deparamos-nos com um dado interessante: em outras épocas que não a atual, também houve autoras que podem ser consideradas de alguma forma "feministas", como por exemplo, Safo e Sóror Juana Inés de la Cruz. Outros dados interessantes encontrados no artigo tratam do primeiro romance de autoria feminina escrito por uma brasileira. Trata-se de Úrsula, escrito em 1859 por Maria Firmina dos Reis. A importância de um comentário sobre esse romance é que, em seu enredo, o final foge daqueles famosos "finais felizes", normalmente associados à literatura feminina, pois a protagonista morre no final.

No final da primeira parte do artigo (pois o mesmo foi publicado em duas partes separadas), Teixeira cita algumas escritoras que tem como preocupação em ser sujeito da própria escrita, deixando de ser somente uma representação literária na ficção masculina, escritoras tais como: Clarice Lispector, Sonia Coutinho, Maria Adelaide Amaral e Lya Luft. Sobre essa última autora citada, há um artigo (na verdade, a segunda parte do artigo que analisamos nessa postagem) em que sua obra é vista segundo a ótica da crítica feminista, sobre o qual será tratado na próxima postagem.


Link do artigo de Teixeira, o qual serviu de fonte de pesquisa para a postagem:

http://www.klickescritores.com.br/pag_materias/materias07.htm

http://lattes.cnpq.br/1934531868783088

Como dica, recomendamos a visita de um link para um artigo da Revista Estudos Feministas, de Florianópolis:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2008000100020&script=sci_arttext

Como segunda dica, um artigo muito interessante sobre crítica feminista e o Projeto Feminista no Brasil dos anos 70 e 80, por Daniela Manini:

Crítica feminista à modernidade e o projeto feminista no Brasil dos anos 70 e 80



Crítica feminista, Daniela Manini, Literatura feminina, Luiza Lobo, Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira

segunda 14 dezembro 2009 00:25



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